Na volta às aulas, muitas crianças que mudaram de escola enfrentam o
drama da adaptação. Veja como pais e professores podem ajudar.
O que sente uma criança quando chega a uma escola nova? Júlia
Maria Barbosa, de 9 anos, resumiu essa experiência em uma
palavra: medo. “Eu não estou acostumada com colégio grande,
quase me perdi!”, ela explica, tímida.
Encarar o desconhecido pode mesmo ser assustador.
“Quando você entra na sala, começa a olhar para todo mundo e
todo mundo começa a olhar pra você. Daí você começa a perguntar
assim: ‘professora, onde que eu vou sentar?’”, descreve Rodrigo
Fernandes, de 8 anos.
Numa escola de Campo Grande, a disposição das
carteiras é mudada no início do ano. Um círculo aproxima as
crianças e, para diminuir a ansiedade, foi adotado o sistema de
duplas: um aluno antigo senta ao lado de um novato. Os veteranos
tem a tarefa de apresentar a escola a quem chega.
Logo cedo, as crianças aprendem que a generosidade
é um grande passo para fortalecer os laços de uma futura
amizade. “Acho que assim eles vão se adaptar melhor, não vão ter
vergonha e vão participar mais das atividades", diz a
veterana Júlia Ricarti, de 9 anos.
Na rede pública de Campo Grande, a atividade de
integração envolve balões coloridos com os nomes dos alunos. As
crianças brincam de achar esses nomes e acabam se conhecendo.
É na escola que as crianças aprendem a conviver
com as diferenças, desenvolvem suas habilidades individuais e
fazem amigos. Se algo não vai bem nessa adaptação, pode resultar
em traumas para o resto da vida.
Por isso, educadores e pais devem observar as
crianças para identificar sinais de que algo não vai bem. “A
criança que não se adaptou bem se isola, fica quietinha no seu
canto, sem mostrar o que a está afetando”, explica a
coordenadora pedagógica Vânia Lúcia Neves.
Em outra escola da cidade, as primeiras aulas são
dadas no pátio. As professoras incentivam os alunos a visitar
outras salas e coordenam brincadeiras coletivas. Estimular a
demonstração de afeto e o companheirismo ajuda a quebrar o gelo.
Entre os adolescentes, alguém pra fazer a
apresentação é fundamental. O aluno novo Hugo Jacomini, de 13
anos, ensina sua técnica: “Quando te apresentam, você que tem
que perguntar: ‘como vai, tudo bem? Você gosta de fazer o
quê?’". Pelo jeito, deu certo.
No caso das crianças menores, a adaptação também pode ser
difícil. “O coração fica apertado, a gente fica assustado e sem
saber o que vai acontecer. Dá vontade de voltar e pegar a
criança, mas aos poucos a gente vai se acostumando”, conta
Adriano Remonatto, que tem uma filha de 3 anos.
Será o primeiro ano do filho de Sabrina Villela,
Caio, na Educação Infantil. “O momento mais difícil é a hora da
chegada. Ele quer ficar agarrado com a mamãe, mas eu entrego
para as professoras sem medo, elas sãos ótimas profissionais”,
diz ela.
A diretora da escola, Regina Martins, completa: “O
segredo da adaptação é a criança se sentir segura. Nós iniciamos
o processo com uma reunião com os pais para eles entenderem o
que vai acontecer, depois à criança vem à escola com um dos pais
e depois com objetos familiares, que a fazem se sentir segura”.
Última atualização em Qua, 18 de Fevereiro de 2009 15:50